sábado, 11 de agosto de 2012

Entrevista com Valéria Zamparo


Hoje vou entrevistar uma Bondagista que sou fã e acredito que ela seja o sonho de centenas de Bondagistas brasileiros. Mulher forte, de atitude que realmente ama o seu fetiche e como a maioria dos Bondagistas anda a procura da parceria perfeita não só para o Bondage mas para vida. Com vocês: Valéria Zamparo.

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 1) Como foi a primeira vez que vc praticou selfbondage?
Re: Foi ainda na pré-adolescência, à noite, quando meus pais estavam dormindo. Depois de muito sentir uma inexplicável excitação ao ver cenas de mulheres amarradas na TV, certa noite resolvi experimentar em mim mesma a sensação de estar imobilizada. Na minha primeira experiência em selfbondage usei o próprio lençol para amarrar meus calcanhares. Logo percebi que ficar amarrada, por si só, não era muito estimulante. Daí eu comecei a mexer minhas pernas, para tentar me soltar. Foi uma revelação. O movimento do meu corpo tentando me livrar das amarras me trouxe um prazer que até aquele momento eu não conhecia. Na noite seguinte resolvi amarrar também meus pulsos, mas o lençol se revelou pouco prático, por isso decidi testar alguns materiais como fita adesiva, corda de varal e até corrente de bicicleta. Isso até descobrir as vantagens de usar faixas cirúrgicas, dessas que se vendem em farmácias, pois são ao mesmo tempo resistentes e flexíveis. Uso faixas cirúrgicas até hoje.


 2) Como foi a primeira vez que vc foi amarrada por um namorado?
Re: A primeira vez em que fui amarrada por outra pessoa foi bastante singela. Aconteceu no começo da adolescência, quando eu já estava mais experiente em matéria de selfbondage. Certo dia, enquanto estávamos nos beijando no sofá da sala, pedi para meu então namorado amarrar meus pulsos com um lenço de seda que eu usava na época, sob o pretexto de ter lido um artigo sobre "apimentar a relação" em alguma revista feminina. Pura invenção, mas que acabou gerando o efeito que eu desejava. Ele concordou na hora, o que me deu a indicação de como os homens encaram a visão da uma mulher imobilizada. Deitada no sofá, com os braços dobrados para trás, ele ficou sobre mim e começou a me beijar e me passar a mão, enquanto eu tentava soltar meus pulsos. Ele adorou, enquanto eu fui à loucura. Depois disso, com ele e com outros namorados, as amarrações ficaram mais complexas e a abordagem do assunto ficou mais sutil.


 3) Você já amarrou uma mulher? Como foi?
Re: Eu já amarrei uma grande amiga, que morou comigo algum tempo e que também era bondagette. Foi uma experiência maravilhosa, que repetimos várias vezes. A visão de uma mulher amarrada tem repercussões estéticas que não encontro em corpos masculinos. Como eu não consigo dissociar o bondage da parte estética, achei a experiência linda, todas as vezes que aconteceu. Ela se movia e gemia de forma diferente de mim, o que me excitava bastante, mas nunca "avancei o sinal" quando ela estava imobilizada.
  

4) Você já foi amarrada por uma mulher? Como foi?
 Re: Fui amarrada várias vezes pela mesma amiga mencionada na pergunta anterior. Foram ocasiões maravilhosas, pois às vezes, quando eu estava cansada de me mexer, ela me fazia um tipo de massagem pressionando levemente determinados pontos do meu corpo, o que me reacendia minha excitação. Isso quando ela não passava simplesmente a ponta dos dedos sobre meu corpo. Em raras ocasiões ela foi mais "ousada" comigo, mas isso não era a regra, pois ela costumava respeitar minhas convicções hetero.
 

 5) Sobre Bondage com sexo, o que você curte e o que não curte?
 Re: Adoro bondage com sexo, principalmente se for sexo selvagem, que combina mais com o fetiche. Se tiver um pouco de "hairpulling" e umas palmadas na bunda, então, fica perfeito. Só não gosto de sentir dor. Explicando melhor: não gosto de sentir um nível maior de dor maior do que o resultante das práticas que  mencionei na frase anterior, pois isso me tira o tesão. Ou seja, não gosto de "spanking", de "nipple clamps", de eletroestimulação e também não gosto de sexo anal. Por motivos que não têm a ver com dor, mas com textura e paladar, também não gosto de ser forçada a engolir esperma.


 6) Qual é a sua posição preferida para ser amarrada? E a mesma que você prefere para transar amarrada?
 Re: Não tenho posição preferida para ser amarrada, mas não gosto de posições que me provoquem incômodo muscular nem aquelas que não permitam me movimentar o suficiente para tentar me livrar das amarras. Posições "acrobáticas" não me interessam; prefiro sempre as mais simples. Com relação ao sexo, qualquer posição em que o namorado consiga transar comigo, está bem para mim.

 

 7) Quais celebridades brasileiras ou internacionais você gostaria de ver amarradas?
Re: No Brasil, eu diria Grazi Massafera, Paola Oliveira, Isis Valverde, Fernanda Paes Leme e Helena Ranaldi. No exterior, Famke Janssen, Michelle Rodriguez, Marisa Tomei e a velocista australiana Michelle Jennecke. A lista poderia ser maior, sobretudo entre as brasileiras, mas se eu visse nuas e amarradas as que mencionei, eu já ficaria satisfeita.


8) Você já passou por algum susto na prática de selfbondage? Já esteve perto de ser encontrada amarrada ou o plano de escape quase não deu certo?
Re: Na adolescência, quando ainda morava com meus pais, quase fui flagrada por eles algumas vezes. Na idade adulta, certa vez a maçaneta da porta de um quartinho onde eu estava totalmente imobilizada não abriu após algumas tentativas, mas o mecanismo da fechadura acabou voltando ao normal subitamente. Em outras ocasiões, recebi visitas inesperadas enquanto estava em bondage e tive de me soltar o mais rápido que pude. Felizmente, todos esses sustos tiveram final feliz, ainda que na hora fizessem meu coração disparar.


9) Cite algumas fantasias relacionadas ao Bondage que você ainda pretende realizar.
Re: Não sei se "pretendo" realizar essas fantasias ou se apenas "desejaria" realizá-las, mas vá lá: ser imobilizada no convés de um iate, à noite, ouvindo o ruído do mar e vendo as estrelas; ser imobilizada na cama da suíte de num palácio indiano transformado em hotel de luxo, com a brisa balançando as cortinas e sentindo o aroma de incenso e especiarias; ser imobilizada  na coluna de um resort nas ilhas gregas, contemplando o Mar Egeu no horizonte. Como se pode notar, minhas fantasias estão mais relacionadas a lugares e sensações do que a posições ou pessoas. A única exceção é que eu adoraria ser amarrada pelo Johnny Depp, contanto que ele não fumasse perto de mim.

  

10) Você acha que uma possivel popularização do Bondage enquanto prática sexual totalmente desvinculada do universo BDSM é uma utopia?
 Re: Sim, eu acho perfeitamente possível, mas acredito que isso vai ser um processo demorado, pois quase invariavelmente o imaginário popular associa o bondage ao BDSM. O universo BDSM remonta ao Marquês de Sade e a Leopold von Sacher-Masoch, respectivamente aos séculos XVIII e XIX, o que lhe dá uma antiguidade imbatível. Filmes associando bondage ao sadomasoquismo dominaram inteiramente o mercado do cinema erótico e o advento da internet só fez ampliar essa percepção numa escala mundial, a ponto de serem comparativamente raras as imagens na rede que dissociam o bondage da "parafernália" BDSM. Dessa forma, é até natural que as pessoas associem automaticamente bondage ao BDSM e, em consequência, tenham rejeição à prática, com medo de sentir dor. O termo "Love Bondage" foi criado muito recentemente e ainda vai levar tempo para se enraizar na mente do público em geral.

Mas a causa não está perdida, por assim dizer. Eu mesma já recebi mais de um e-mail de pessoas que se dizem aliviadas por encontrar alguém que pensa como elas, ou seja, alguém que sente prazer no bondage mas que rejeita o universo BDSM, por não querer provocar nem sentir dor, ainda que consensualmente. Daí a importância de blogs como o seu e alguns outros, que procuram desmistificar essa questão, divulgando o bondage como uma prática erótica tão natural em sua singularidade como qualquer outra, e que não precisa necessariamente estar ligada ao sadomasoquismo, pois é um prazer que se esgota na imobilização em si, sem acréscimos desnecessários. Só espero que, com uma maior divulgação desse aspecto natural do bondage, mais pessoas decidam "sair do armário", particularmente as mulheres, que são tradicionalmente mais tímidas ao expor seu lado fetichista. O importante é não desistir frente às dificuldades e continuar divulgando nossa visão do bondage como algo totalmente desvinculado do BDSM, seja em nossos relacionamentos pessoais, seja na internet ou mesmo em público, caso a pessoa não se importe em resguardar sua privacidade.

Adorei, espero que várias mulheres brasileiras se identifiquem com a Valéria Zamparo e saiam do armário compartilhando suas fantasias. Os Bondagistas agradecem.

2 comentários:

  1. Achei sensacional a entrevista com a Valeria, super interessante cada resposta, realmente é uma mulher fascinante do mundo bondage, gostaria de parabenizar e realmente foi sensacional, só um detalhe a Paola Oliveira ja foi amarrada e amordaçada em novelas...deve ter aque video..

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  2. Zamparo Valeria parece ser a minha mulher perfeita! Como posso corresponder com ela? Meu e-mail: atador32@gmail.com

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